Outras mortes

As transições são como pequenas mortes dentro da vida. Em mim elas são marcadas por momentos-chave nos quais tenho uma fortíssima sensação de finitude, de perda e de medo. Sinto também euforia e felicidade pelo que virá. Nestes momentos, a consciência é tão transparente e plena que dói; o choro surge de algum lugar muito profundo que eu não sei identificar onde fica. Ele me diz que, não importa o que eu faça, algo se transformou. Então, parece ser como a morte.

Por certo tempo, apenas continuamos os mesmos, vivemos de modo mais ou menos constante, fazendo variações das mesmas coisas, até que um dia o ciclo de permanência se encerra e pronto! Começaremos a pensar e a agir diferente, não tem jeito. Pode ser por qualquer coisa, algo que você viu, que aprendeu, uma música, uma pessoa, uma fase da vida. No meu caso, ficam lembranças exatas destas rupturas. E o recomeço é igualmente marcante, ou melhor, acho que é a parte mais importante, que vai definir como será a nova vida.

Lembro de quando resolvi emagrecer quando era criança, de quando percebi que não brincaria mais de boneca, do dia em que deixei de ser tímida, de quando parei de sofrer pela separação dos meus pais, dos primeiros e dos últimos goles de álcool, dos insights a partir de maluquices cometidas por amor, das maiores decepções que me abriram os olhos, do dia em que desisti de fazer medicina para fazer jornalismo, do outro em que resolvi largar a faculdade, do dia em que resolvi ser vegan, da primeira vez que toquei maracatu por horas seguidas, da mudança para Salvador, do quase casamento e do seu fim…

Acabo de viver mais uma destas mortes e um dos dias decisivos já passou. Termino um ciclo e tenho outra vida engatada nascendo. Nunca mais serei a mesma, tenho certeza. Estou me despedindo ansiosa.

3 Respostas

  1. Lindo texto Lu. Ameiiii!!!!!
    Entendo o que sente perfeitamente..

  2. que lindo flor.
    as mudanças nos movem cada vez mais.

  3. atualize essa weá aqui!

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